Pichetti Rui Vilani  Inez Trentin Zandoná  Tarcísio Tonhá  Outros

Imagem Ilustrativa

Em conversa com pecuaristas o momento não poderia ser melhor, de valorização do boi, principalmente do gado jovem e precoce, no entanto, a demanda chinesa da carne brasileira gerou uma onda de elevação do produto no açougue nacional, gerando revolta dos consumidores e declarações oportunistas de polaridades políticas.

Acontece que a Ásia perdeu a venda da carne de porco devido a contaminação da peste suína e a China, em véspera de elevação de consumos em comemoração ao ano novo chinês, optou pela compra da carne vermelha brasileira. Nesse ponto, o dinheiro que iria para os produtores de porcos na Asia, veio para o produtor e frigoríficos brasileiros. Ganhamos!

Em um resumo simplista, a exportação de carne para fora fez a oferta no açougue local diminuir em relação à procura, ou seja, na matemática básica do mercado de oferta versus demanda, o estabelecimento sobe o preço. É uma lei praticamente natural da economia. Contra isso, algumas pessoas indicaram o boicote a compra da carne vermelha, que sendo perecível, poderia vir a baixar, mas alguns economistas dizem que não faria um efeito amplo ou duradouro no país, apertando apenas o açougue.

A questão é que, a curto prazo não tem jeito, mas em médio e logo, quando a doença do porco for equilibrada na Asia, a China provavelmente vai voltar a consumir seus tradicionais pratos suínos, reduzindo o consumo de carne vermelha e a importação do produto brasileiro. É claro que após provarem a picanha ou o coxão duro uma parcela do consumo vai permanecer, mas talvez não tanto, voltando a sobrar carne no mercado interno. Teremos que aguardar!

Em contrapartida o produtor brasileiro poderá usar seu saldo positivo para renovar e talvez aumentar seu rebanho. Geralmente é o que acontece quando se tem lucro em uma área, os horizontes se expandem!

Da parte do consumidor, a procura por outras fontes de proteína como frango, porco, peixe ou embutidos vai gerar ganhos para essas outras produções, também incentivando seu crescimento. Apesar de que o aumento na procura desses produtos também poderá gerar alta no preço dos mesmos. Provavelmente!

A queda dos valores na prateleira só deverá acontecer mesmo quando o mercado incitar novos concorrentes para todos estes produtos e estes brigarem de verdade, sem monopólio ou oligopólio, pelo cliente.

A esperança mesmo no final do giro econômico é de que os investidores do campo e das industrias adquiram mais mão-de-obra no Brasil, usando esse ganho momentâneo para novos salários futuros e que a bolha econômica nacional venha a ser mais justa com os preços para o consumidor final. Ou seja, que esse momento de lucro da carne cara, alcance também o salário no bolso do consumidor da carne, o mais breve possível.